

Hoje , grande parte dos CEIs dispõe de balcões térmicos e práticas de auto serviço (ou se preferir, self-service) nos horários de alimentação. Podemos avaliar esse movimento como um avanço protagonizado pela educação infantil se considerarmos que crianças de ensino fundamental I e II na mesma rede, são servidos pelos adultos, comem ainda com colheres em pratos plásticos em intervalos reduzidos de 15 minutos nos entremeios das aulas.
No entanto, sabemos que a implantação do Self-Service é muito mais do que uma questão de material ou reorganização dos espaços e pede trabalhar-se com os princípios que norteiam estas propostas.

Sabemos que as reais transformações passam por um longo processo de reconstruções das nossas intenções e ações docentes e que estas, são regidas por concepções enraizadas que pedem mais do que somente se alterar situações estruturais e organizacionais da nossa prática.
Ainda se faz necessário discutir com o grupo questões como:
· O papel do educador em situações importantes nestes horários (planejar, observar, avaliar, intervir, mediar)
· A importância de se considerar as diversas situações sociais e culturais de alimentação
· O papel do educador no desenvolvimento de bons hábitos de alimentação
Mas penso que o maior dos equívocos é o olhar reducionista de acreditar que essa proposta refere-se unicamente ao deixar ou não a criança servir-se sozinha.
Nesse sentido parece existir uma permanente confusão entre :
Desenvolvimento Gradativo da Autonomia
X
Liberdade Concedida
O desenvolvimento gradativo da autonomia pede:
· Observar a criança e seus processos
· Intervir de forma a fazê-la avançar
· Cuidar no sentido mais profundo da concepção, preocupando-se com o bem estar do outro.
Fica mais fácil compreender se pensarmos no exemplo:
Espera-se que, aos cinco anos uma criança já saiba cuidar da sua higiene intima sozinha ao fazer suas necessidades. Á ela, então, é concedida a liberdade ir ao banheiro sem o acompanhamento de um adulto.
Se tivermos o cuidado de observar esta criança poderemos talvez perceber que ela ainda precise de auxílio de um adulto para tal tarefa e essa observação pede do educador algumas intervenções para que ela possa ir construindo gradativamente essa competência.
Uma educação infantil, que tem como princípio o EDUCAR e CUIDAR e como concepção a construção significativas de conhecimentos a partir da relação que a criança estabeleça entre o que já sabe e aquilo que é novo , precisa ter claro a função do educador nesse processo.
Olhar para a criança, analisar o que já sabe, pensar em que pode aprender, planejar intervenções possíveis e observar seus novos avanços, nos deixa claro nosso compromisso permanente com o processo de desenvolvimento gradativo da autonomia de uma criança. E essa é uma postura que vai muito além de deixar ou não uma criança comer sozinha.
Olhar para a criança, analisar o que já sabe, pensar em que pode aprender, planejar intervenções possíveis e observar seus novos avanços, nos deixa claro nosso compromisso permanente com o processo de desenvolvimento gradativo da autonomia de uma criança. E essa é uma postura que vai muito além de deixar ou não uma criança comer sozinha.
LIBERDADE CONCEDIDA pede CONCEDER